Mulheres Importantes da Arquitetura
O desafio proposto por nossa Diretora de Arte, Júlia de Lima, é escrever sobre mulheres da arquitetura e do Mercado imobiliário. Explico, o desafio está em ver o lado positivo da história e de tantas mulheres que sacrificaram a vida, o tempo e seus próprios interesses para hoje termos direitos e sermos reconhecidas como pessoa.
Faço questão de começar a falar das mulheres da Moysés Imóveis, a Lourdes é uma mulher que decidiu ser mãe não somente de seu filho José, mas de todos nós, a dedicação e carinho dela são inigualáveis e nos faz sentir como filhos. A Júlia é uma mulher em descoberta e moderna que se permite não ter rótulos. Falar de mim poderia parecer fugaz, então vou deixar a transcrição que recebi quando solicitei a ajuda do Fabiano Veríssimo sobre mulheres na arquitetura: “É tipo tu e o Eduardo, os dois trabalham juntos, mas cada um tem suas potencialidades, não é porque é esposa ou mulher que fica atrás, vejo como uma questão de união.” Complementaria que ser mulher é uma questão de união e respeito, sabermos o que queremos para nossas vidas e, em muitos momentos dizer não, como disse Jane Fonda no documentário “Feministas: O que elas estavam pensando?” “descobrir que não é uma frase completa” (este documentário está disponível no Netflix, vale a pena assistir).
Como referido na arquitetura foi necessário solicitar a ajuda de um especialista, então recorri ao Arquiteto Fabiano Veríssimo, que em uma conversa via whatsapp prontamente referiu alguns nomes, entre eles destaco: Zaha Hadid e Achilina di Enrico Bo conhecida como Lina Bo Boardi.
Zaha Hadid foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Pritzker. Suas obras denotam contrastes espaciais por suas formas continuas e singulares, ariscaria dizer que únicas. Faleceu em 2016 deixando um legado além da arquitetura, também na valorização do trabalho das mulheres da arquitetura em nível mundial.
O Arquiteto Fabiano Veríssimo ao referi-la disse: “Zaha Hadid também era designer, seu legado foi na arquitetura, na moda e na valorização das arquitetas em nível mundial. Ela foi morar na Inglaterra e fez carreira lá, infelizmente faleceu cedo, mas conseguiu deixar uma marca muito orgânica na arquitetura, é um ícone que inspira e consegue envolver a questão do macro ao micro. A gente consegue se inspirar em uma forma dela e tratar em um ambiente menor o que é bem marcante e interessante pelas formas utilizadas”.
Já a outra referência citada pelo arquiteto foi Lina Bo Bardi, que projetou o Masp e Sesc Pompéia.
Arquiteta Italiana que veio com o marido (Pietro Maria) para o Brasil. Bo Bardi enfrentou a negativa de não reconhecerem seu diploma no Brasil e realizou sua própria defesa, conforme explica Fabiano:
“Ela preparou uma aula Magda (defesa) e defendeu as questões dela de arquitetura e isso virou um livro, eu tenho o livro de como ela preparou essa defesa, além disso, ela fez vários prédios que são ícones da arquitetura Brasileira e eles servem muito de inspiração, por exemplo, hoje em dia se trabalha muito com concreto armado e isso não é de agora vem do passado. Na construção do Masp ela utilizou o concreto armado para vencer grandes vãos, essa é uma demonstração através da estrutura o que ela foi capaz de fazer pela arquitetura. Ela foi ousada nestas questões. Já no Sesc Pompéia, que é um prédio bem formalista tem muitas questões de formas geométricas, do uso do concreto, do vazado, a ligação entre um prédio e outro. Tem também uma casa de vidro que é muito marcante, ela também trabalhou com alguns ícones do design, é uma mulher de um pulso bem forte. Mesmo estando ao lado do marido que também fez bastante sucesso, ela conseguiu marcar o seu lado profissional de forma autônoma em uma época que o machismo era muito mais forte que hoje em dia.”
No Mercado Imobiliário até 1958 somente homens exerciam a profissão, porém isso mudou e hoje apesar de precisarmos recuperar a história de muitas mulheres, pois há pouca referência escrita para pesquisa sobre mulheres no mercado imobiliário, existem algumas que são empreendedoras, corretoras e fonte de inspiração, entre elas cito: Valentina Caran que atua no Mercado imobiliário há 38 anos, Leticia Rody que trabalha com imóveis de luxo, Elisa Tawil uma das idealizadoras do projeto “mulheres do imobiliário capacita”, Norma Souza Gomes que após o falecimento do seu esposo reabriu a imobiliária e faz a diferença no mercado imobiliário junto com seus filhos em uma gestão familiar, Mary Fitzgerald corretora na vida real que participa do reality Selling Sunset, Raquel Trevisan que atua em marketing imobiliário aqui no Rio Grande do Sul.
E pensar que tudo começou com pequenos movimentos, como a mobilização organizada por operárias de uma fábrica de tecidos em Nova York, Estados Unidos, em 8 de março de 1857. Neste dia, 129 operárias paralisaram suas atividades para reivindicar melhores condições de trabalho, redução de carga horária de 14 horas para 10 horas e direito à licença maternidade. A polícia e os donos da fábrica reagiram duramente, trancando essas mulheres no local e em seguida atearam fogo, fazendo com que todas morressem carbonizadas.
Nós, mulheres do século 21 não basta apenas lembrar os sacrifícios da vida, tempo e de interesses pessoais deixados de lado em busca de igualdades para todas. Cabe fazermos a nossa história, valorizando cada mulher, cada ser humano independente de sua raça, religião e escolhas de vida.
Texto: Elizangela Medeiros
Revisão: Eduardo Katz e Júlia de Lima
Arte: Júlia de Lima
